1. O que é o FlameRobin?
O FlameRobin é um administrador de banco de dados e uma ferramenta de desenvolvimento open source, disponível para Mac, Windows e Linux. Com ele, podemos administrar e desenvolver bancos de dados Firebird.
Apesar da interface poder parecer “incomum” à primeira vista (com janelas soltas), o fluxo de trabalho dele é focado em SQL: ele tem assistentes visuais que geram o statement base, que você pode modificar e executar.
2. Por que compilar? O problema dos repositórios
Você provavelmente encontrará o FlameRobin na loja de aplicativos da sua distribuição, ou instalando pelo terminal (ex.: sudo apt install flamerobin).
Esse método quase sempre instala uma versão antiga e defasada. Para melhor compatibilidade e correções de bugs, o caminho que recomendo é compilar a versão mais recente a partir do código-fonte no GitHub.
Releases oficiais: https://github.com/mariuz/flamerobin/releases
3. Preparando o ambiente (pré-compilação)
O “segredo” para uma compilação fácil é usar o gerenciador de pacotes do sistema para instalar todas as dependências de compilação (wxWidgets e outras bibliotecas).
A) Fedora (e derivados)
No Fedora, usamos o dnf para investigar o pacote e depois o dnf builddep para instalar as dependências.
1) Investigar o pacote (opcional)
dnf search flamerobin
dnf info flamerobin
2) Instalar dependências
No Fedora, o dnf builddep vem pelo pacote dnf-plugins-core:
sudo dnf install dnf-plugins-core
Se houver um FlameRobin instalado previamente, remova:
sudo dnf remove flamerobin
Agora puxe as dependências de compilação:
sudo dnf builddep flamerobin
Por garantia, instale ferramentas básicas:
sudo dnf install git cmake gcc-c++
B) Debian/Ubuntu (e derivados)
No Debian/Ubuntu, o processo é similar usando apt-get build-dep.
0) Investigar o pacote (opcional)
Se você quiser conferir qual versão está no repositório (normalmente é antiga), use:
apt-cache search flamerobin
apt show flamerobin
Compare a versão exibida com as releases oficiais no GitHub.
1) Habilitar repositórios de código-fonte (deb-src)
O comando build-dep exige que os repositórios de código-fonte (deb-src) estejam habilitados no /etc/apt/sources.list (ou em arquivos dentro de /etc/apt/sources.list.d/).
deb http://archive.ubuntu.com/ubuntu/ jammy main
deb-src http://archive.ubuntu.com/ubuntu/ jammy main
Depois, atualize a lista de pacotes:
sudo apt update
2) Instalar dependências
Se houver um FlameRobin instalado previamente, remova:
sudo apt remove -y flamerobin
Baixe as dependências de compilação:
sudo apt-get build-dep flamerobin
Por garantia, instale as ferramentas básicas:
sudo apt install git cmake build-essential
4. Baixando e compilando o FlameRobin
Com o ambiente pronto, os passos abaixo são os mesmos em qualquer distribuição. Recomendo fazer isso na sua pasta de usuário ($HOME).
Passo 1: baixar o código-fonte (Git)
cd /usr/local/src
sudo git clone https://github.com/mariuz/flamerobin.git
cd flamerobin
Passo 2: configurar a compilação (CMake)
Crie um diretório build separado, para não misturar arquivos gerados com o código-fonte:
sudo mkdir build
cd build
sudo cmake -DCMAKE_BUILD_TYPE=Release ..
Passo 3: compilar (Make)
sudo make
5. Executando e instalando (pós-compilação)
Neste ponto, o programa já está compilado. Você pode rodar localmente ou instalar no sistema.
Vamos instalar no sistema (recomendado)
Se você quiser instalar permanentemente (e aparecer no menu de aplicativos), use make install. Este é o único passo que exige sudo:
cd /usr/local/src/flamerobin/build
sudo make install
6. Configurações do FlameRobin
As configurações são armazenadas em:
~/.flamerobin
Se você quiser reaproveitar configurações vindas de outro computador, basta copiar a pasta acima.
7. Criando uma entrada de menu (atalho)
Se o sudo make install não criar um atalho, ou se você escolheu rodar localmente, crie um arquivo .desktop manualmente:
editor ~/.local/share/applications/flamerobin.desktop
Cole o conteúdo abaixo:
[Desktop Entry]
Version=1.0
Type=Application
Terminal=false
Name=FlameRobin
Exec=flamerobin
Comment=Gerenciador de banco de dados FirebirdSQL
Icon=flamerobin
Categories=GNOME;GTK;Develop;
Se você instalou via sudo make install: Exec=flamerobin está correto.
Se você roda localmente (sem instalar): use o caminho completo do script. Exemplo:
Exec=/home/SEU_USUARIO/flamerobin/run_flamerobin.sh
(Troque SEU_USUARIO pelo seu nome de usuário.)
8. Minhas considerações pessoais sobre o FlameRobin
O fluxo de trabalho dele é focado em SQL. Iniciantes preguiçosos vão odiá-lo, mas pessoas mais pacientes em aprender os comandos (ou as mais experientes) vão gostar desse método — especialmente porque ele não te prende a uma versão particular do Firebird: funciona com qualquer versão em que o statement seja reconhecido.
Pontos de atenção
- DDL não confiável: em alguns casos, gera DDL problemático (um exemplo claro são as triggers).
- Campos calculados: tabelas com campos calculados “somem” e o DDL gerado não é limpo; ele tenta enfiar tudo no
CREATE TABLE. - Extração de dados: ao extrair dados para script (
INSERT/UPDATE), inclui campos calculados, o que falha na execução. - Domínios: não entende domínios; ao gerar DDLs, trata domínios como tipos “normais”.
- Scripts: não roda scripts SQL complexos.
- Debug: não faz debug de PSQL (procedures e triggers).
- Wizards antigos: apesar de funcionar com versões recentes do Firebird, os assistentes parecem ter sido pensados com o “mundo do FB3” em mente.