Logo Gladiston Santana

Pascal: Delphi & Free Pascal

Desenvolvimento robusto, compilado e de alta performance.

Introdução

Ao desenvolver aplicações multiplataforma com Lazarus, especialmente para Linux, um dos maiores desafios é garantir que a interface do usuário (UI) se integre harmoniosamente ao ambiente desktop. No Linux, a aparência dos componentes é ditada pelas bibliotecas GTK (comum no GNOME e XFCE) ou Qt (padrão no KDE Plasma).

Neste artigo, discutiremos como essas "decorações" influenciam o comportamento dos seus componentes e por que tentar forçar estilos manuais pode resultar em uma experiência de usuário inconsistente.

O que precisamos saber sobre decorações GTK e Qt

A Supremacia da Temática do Sistema

Componentes visuais como botões, splitters (divisores) e painéis possuem propriedades de cor e estilo no Lazarus, mas no Linux, essas definições costumam ser ignoradas em favor do tema ativo do sistema (como o Adwaita ou Breeze). Isso ocorre para garantir que todos os aplicativos respeitem a escolha do usuário, permitindo que um tema Dark Mode, por exemplo, afete globalmente a interface.

Se você pretende desenvolver para Windows e Linux simultaneamente, a recomendação de ouro é: evite mexer em decorações manuais. O resultado nativo sempre será mais elegante e funcional do que um componente com cores "hardcoded" que não se adapta às mudanças do sistema.

Quando a Customização é Necessária

Apesar da recomendação geral, existem cenários onde sua aplicação exige uma identidade visual única que diverge do restante do sistema. Para esses casos, você deve verificar se o componente permite manipulação direta via Canvas.

Lembre-se do exemplo do Splitter: mudar sua propriedade de cor via Object Inspector geralmente não surtirá efeito no GTK. Para contornar isso, utilizamos o evento OnPaint para desenhar manualmente sobre o componente:

procedure TForm1.Splitter1Paint(Sender: TObject);
begin
  with (Sender as TSplitter) do
  begin
    Canvas.Brush.Color := clBlack;
    Canvas.FillRect(ClientRect);
    // Adicione aqui desenhos adicionais se necessário
  end;
end;

Desenho Manual vs. Decoração Nativa

Sobrescrever a aparência de um componente exige que o desenvolvedor procure por eventos que exponham o Canvas. Embora tecnicamente possível, isso aumenta a complexidade de manutenção e pode quebrar a acessibilidade do software (como o contraste para usuários com baixa visão).

Conclusão

Entender a diferença entre o desenho nativo do Windows e as decorações GTK/Qt no Linux é fundamental para qualquer desenvolvedor Lazarus Sênior. Respeitar o tema do usuário não é apenas uma escolha estética, mas um compromisso com a usabilidade e a integração do sistema. Utilize a manipulação via Canvas apenas como último recurso, priorizando sempre a sobriedade e a compatibilidade nativa que o compilador Free Pascal oferece tão bem.